¡Madrid! I

Confesso: Madrid não estava no topo da minha lista de cidades europeias a visitar. Houve, no entanto a conjugação de vários factores (leia-se viagens mais baratas marcadas em cima da hora) que nos acabaram por empurrar, de certa forma, para a capital dos nuestros hermanos.


De Madrid sabia que é a capital de Espanha, que foi palco do atentado do 11-M, que tem lá o Prado, que lá vivem sus majestades los Reyes de España e... pouco mais. Ainda tentámos ver de um guia em algumas livrarias, mas acabámos por desistir, ou não havia, ou era demasiado dispendioso para uma visita relâmpago de três dias. A Internet foi nossa amiga.

Quando reservámos a viagem não senti aquela excitação "ai, vou a Madrid!!!", mas à medida que o dia se aproximava lá começou o formigueiro da viagem, a expectativa de ir para o aeroporto, a descolagem e coisas que tal. Afinal já não voava há dois anos e eu até gosto de andar de avião!


Percebo quem goste de andar sempre cheio de glamour quando viaja... mas ninguém me tira os All Star dos pés para estas (e outras, really) andanças (sapatinhos mais fiéis de sua dona, cutxi cutxi).


Como viajantes remediados e sempre a contar os trocos que somos, apanhámos o avião cedíssimo (7.00 da manhã e ala que se faz tarde), o que proporciona sempre umas fotografias à maneira (e à pacóvia que parece que nunca andou de avião, mas tudo bem) antes de entrar no dito.

Chegou-se a Madrid cedo pelos padrões espanhuelos. Instalámo-nos no centro, muito próximo da Plaza Mayor e da Puerta del Sol, o que significou andar a pé para todo o lado (ai!), excepto para Barajas e para o Santiago Bernabéu (inicialmente um landmark que não estava no meu top 10 para ser visitado, mas... I am to blame for Musei Vaticani, Ufizzi, Palazzo Vecchio, várias igrejas e catedrais. Eu aguento um estádio de futebol).

O dia da chegada concentrou-se na Plaza Mayor, Puerta del Sol e Calle de Alcalá, até chegar ao Parque del Retiro e ao Museo del Prado.










Não sei ao certo quantas horas passámos no Prado. Sei que os pés já doíam, e as pernas pesavam (vôo às sete da manhã com umas escassas três horas de sono em cima...) mas íamos andando sempre se sala em sala "olha estes são Rafael", "ali está a sala com os Velasquéz", "ainda não vimos a outra ala" ou "vamos só sentar um bocadinho, mas ainda falta ver Caravaggio".

Sei que não é o passatempo favorito dele e que ao fim de algumas horas fica impaciente a ver quadros e mais quadros. Sei que é o meu passatempo favorito, olhar para aquelas obras de arte, tão antigas, tão representadas vezes sem conta em quadradinhos pequenos nos livros de história, ou num écran de 19 polegadas de um computador, chegar e vê-las em telas de 3x2m, com tons vívidos como se tivessem sido pintadasno ano passado.

Gosto de chegar e ficar arrebatada com o tamanho, senhores, o tamanho das telas, com o detalhe e com o talento do artista há tanto tempo nascido e falecido. Gosto de ficar ali, só um bocado, a olhar, a absorver aquilo porque não sei quando vou poder voltar. Não me chateia (muito) não poder tirar fotografias, porque mesmo que as tirasse não iriam ser diferentes daquelas que posso ver online, e ali vejo as pinceladas e fico a perscrutar o quadro de uma ponta à outra. E aí fica a grandeza gravada na minha memória, as sensações e as cores vívidas do "Nascimento da Vénus" do Boticelli, dos frescos de Rafael e do tecto da Capela Sistina (o único sítio onde tirei uma foto quando não era permitido, apanhando justamente "a Criação de Adão").

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