sexta-feira, 5 de junho de 2015

Aventuras no retalho

Trabalhar numa caixa registadora no retalho tem muito que se lhe diga. Um ou dois dias depois de ter começado apanhei uma colega que trabalha no interior da loja a dizer que nos gabava a coragem de trabalhar na caixa. Quando me disse isso fiquei um pouco à toa, acho que não percebi muito bem o que ela quis dizer. Agora, com uma escassa semana de trabalho em cima, acho que compreendi.

Ainda que sejam umas curtas 4 horas diárias apanha-se com todo o tipo de gente: pessoas simpáticas, pessoas normais, pessoas queques, pessoas quequíssimas, pessoas que reconheces da televisão... ainda não tive nenhuma experiência verdadeiramente desagradável, mas juro que já tive situações em que o cliente se vai embora e a mim só me apetece (primeiro) revirar os olhos e (depois) rir, de tão ridícula que a situação é.

O que me tenho apercebido é que há muita gente que tem apenas uma vaga noção de como tratar pessoas normais, do mundo real,com uma ideia muito enevoada de como as coisas funcionam, especialmente no que toca ao tipo de tratamento que dão aos empregados de uma loja, que roça o tom senhorial de quem se dirige a um criado (sim, é mesmo assim em tom antiquado de nobreza e de estatuto e classe social elevada em relação ao plebeu). E vocês ficariam supreendidos (vai daí, talvez não) com a quantidade de gente dessa que circula numa loja de venda a retalho às três da tarde de um dia de semana e que, depois de ter gasto mais de quatrocentos euros em compras vai analisar o talão de compras item por item, para ver se não escapou nada [não faltava, e apercebeu-se que afinal ainda ia levar mais uma coleira de cão].

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